08/03/2017: UM DIVISOR DE ÁGUAS

07:52

Foto: Mídia Ninja // O Clã


Esse post está sendo escrito no meu celular às 08h47 da manhã do dia nove. Eu tô cansada, minha cara tá mais inchada que a minha barriga depois da ceia de Natal, mas meu coração tá brilhando. Igual o meu rosto cheio de glitter ontem.

Caso você viva em outra galáxia, ontem, mulheres do mundo todo pararam para ir às ruas pelo movimento feminino. E. Eu. Estava. Lá. Foi a coisa mais surreal que eu experimentei. Não tanto quanto dar uma palestra super empoderada para meninas do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Eu. Estava. Lá. E foi lindo! Eu tô em êxtase até agora. Foi lindo, foi emocionante.

Era uma escola bem humilde, pequena, mas que eu já via que tinha um coração enorme. As meninas me receberam com olhares curiosos e eu mostrei que eu sou igual a elas. Falei das minhas lutas, da minha doencinha (que agora já trato com outros olhos), falei sobre o que eu experimentei e vi como mulher em formação. Elas foram tão receptivas e eu acabei me vendo (claro) em cada uma delas. Na Camile que quer ser delegada, na Ana Carla que disse
que os meninos são muito ruinzinhos (vocês são, caras rsrsrssssssss) e na Scarlet que procurou a tia Maria para conversar sobre o que ela passava. Eu era elas, e espero que elas sejam até melhores do que eu daqui a alguns anos. Foi maravilhoso.



Mais tarde, algo me esperava. Algo que eu não sabia o que esperar, mas que já me esperava.

A única vez que eu fui às ruas foi em 2013 pra exigir um pouquinho mais de respeito pelo povo do nosso brazel. Pois bem. Em 2013 eu tinha 16 anos e não me envolvia tanto na vida política quanto hoje. Ontem, eu já era eu. Ha. Ha. Eu cheguei na Praça da Inconfidência sozinha, mas saí de lá com mais 499 de mim (éramos 500 mulheres, de acordo com os jornais). Fiz meu cartaz (que tava bem lokao com várias tintas), uma mana me encheu de glitter e vambora fazendo. Representamos não uma ou duas ou 500, representamos todas aquelas que ainda sofrem violência doméstica, que foram mortas ao exigirem os direitos dos filhos, as que foram mortas por defender o que acreditavam, as que foram violentadas por serem mulheres. Era eu, você, sua irmã, sua prima, sua mãe, vizinha. Éramos nós.

Andamos na rua principal da cidade gritando palavras de ordem e sendo assistidas pelos nosso conterrâneos. Vi uma senhora da minha igreja emocionadíssima com o movimento. Aquilo me emocionou. Marcelina é uma senhora simpática e com o sorriso mais legal que eu já vi. Será que amanhã eu serei a Marcelina vendo as meninas lutando por nada mais que direitos iguais? Espero que sim. Espero me emocionar do mesmo jeito que ela se emocionou ao fazermos o jogral de mulheres notáveis, mas que não pareceram tão importantes aos olhares de repressores. Eu estava lá pela Marcelina também.

Foto: João Furio


O dia foi lindo, as meninas foram lindas e eu só tenho é que agradecer por tudo o que eu vivi ontem. Não sei o que nos espera daqui pra frente, mas eu espero que seja cada vez melhor e mais cheio de poder da mulher!




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